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A Eucaristia é celebração do mistério pascal, memorial da morte e ressurreição do Senhor Jesus, verdadeiro sentido pascal do “mistério da fé”: Anunciamos, Senhor, a vossa morte, e proclamamos a vossa ressurreição! “Maranathá! Vem, Senhor Jesus!”. Todas as variantes dessa proclamação incluem o mistério pascal da Paixão e Morte do Senhor, da sua gloriosa Ressurreição e Ascensão, do Pentecostes .

Na Liturgia Eucarística, o presidente da celebração, “in Persona Crhisti”, pede ao Pai que envie o Espírito Santo para tornar o pão e o vinho Corpo e Sangue de Cristo e, através dele, inclui a humanidade no Corpo de Cristo. “Tomai e comei, isto é o meu Corpo; bebei dele todos, este é o cálice da aliança no meu Sangue que é derramado por vós” (Lc 22, 14-20). Quando o Senhor proclamou que tudo estava consumado tornou possível a Eucaristia da Igreja, com o alimento do seu Corpo oferecido como Pão e seu Sangue derramado como Vida eterna. Nesta realidade sacramental, o pão permanece pão, mas está oculto o Corpo do Senhor. Ao comermos o Pão e bebermos do Cálice penetramos na vida divina e a vida divina penetra em nós. Os fiéis participantes, incorporados a Cristo, se tornam consanguíneos com Cristo, raça divina (At 17,28), participantes da natureza divina (cf. 2Pd 1,4). A consumação proclamada por Cristo gera a Igreja, Carne e Sangue vivificados pelo Espírito na ressurreição. No Cristo ressuscitado, toda a criação recebeu a semente da ressurreição, não só o ser humano, pois toda a realidade que geme em dores de parto (Rm 8,22).

A Eucaristia é afirmação da dignidade e beleza da criação sintetizada no pão e no vinho, do amor do Senhor pela criatura, pois tudo ele assumiu em sua encarnação e em tudo penetrou sua divindade, para que a humanidade possa ser elevada à divindade. Pela Eucaristia, o Senhor restaura a integridade da criação, uma vez que o pão e o vinho ofertados são fruto da terra e do trabalho humano, representam toda a realidade que, no Espírito, é transfigurada.

O mistério que se realiza na liturgia não se “repete”, mas sim se “celebra” o único mistério, atualizado por obra do Espírito Santo que se derrama sobre a assembleia celebrante. Por isso, celebramos a Páscoa todo domingo, quando não todos os dias e, todos os dias Ele se dá a nós. Uma das características da Celebração Eucarística é seu caráter comunitário, ministerial e participativo, ou seja, como um “comer e beber juntos em ação de graças”. A Eucaristia é a grande celebração da própria vida, da vida dos irmãos, das irmãs e das criaturas todas em tempos, espaços e com ritos.

Dessa forma, para os que celebram a Eucaristia é como se fosse sempre a primeira vez que celebra o memorial pascal, de modo que o acontecimento que historicamente pertence ao passado se faça realmente presente na atualidade do povo de Deus - “Fazei isto em memória de mim” - significa quebrar as barreiras do tempo e do espaço para chegarmos ao núcleo da nossa fé, atualizar o mistério pascal pelo qual os cristãos são enxertados e configurados a Cristo, participando intimamente de sua própria vida. Na celebração, toda a assembleia é “litúrgica”, cada qual segundo sua função participa segundo sua responsabilidade da missão eclesial. Nesta celebração Deus reúne, fala, alimenta e envia à missão.

Assim sendo, poder dizer como Pierre Teilhard de Chardin “eu me prostro, meu Deus, diante da vossa presença no universo tornando ardente e, sob os traços de tudo aquilo que eu encontrar, de tudo aquilo que me acontecer, e de tudo aquilo que eu realizar neste dia, eu vos desejo e por vós espero”.

 

Por: Ir. Raquel Travessini (SDS)