Histórico

PE. FRANCISCO MARIA DA CRUZ JORDAN - Fundador da Família Salvatoriana

João Batista Jordan, mais tarde PE. FRANCISCO MARIA DA CRUZ JORDAN, nasceu aos 16 de junho de 1848, em Gurtweil, Baden - Alemanha. Seus pais, Lourenço e Notburga Peter Jordan, pessoas simples e trabalhadoras, tiveram três filhos: Martinho, João Batista e Eduardo.

 Órfão de pai aos 14 anos, João Batista tem que abandonar os estudos e, enfrentando a sorte do assalariado, emprega-se na construção de estradas de ferro e drenagem de rios. Mais tarde trabalha como pintor-decorador. Assim, vai se familiarizando com a luta pela vida, a cruz e a perseverança nas dificuldades. Jovem inquieto, corajoso e persistente, luta em busca de seu ideal. Alegre, determinado, inteligente, líder, dotado de dons artísticos e lingüísticos, brilha por seu espírito de iniciativa.

  Reagindo contra as restrições impostas aos católicos em conseqüência da Revolução Cultural (Kulturkampf), padres e leigos da Alemanha se organizam num movimento, defendendo os direitos da Igreja e passam a se reunir anualmente nos assim chamados "Congressos Católicos”. João Batista é um dos participantes e nessa luta ele desenvolveu seu ardor apostólico e seu amor pela Igreja, bem como sua capacidade de liderança e a consciência de apóstolo comprometido com a causa de Cristo e a vida das pessoas.

  Aos 21 anos de idade volta a estudar, concluindo o primeiro e o segundo graus, graças à ajuda de dois padres e outros benfeitores. Com 26 anos inicia seus estudos universitários em Friburgo, e é ordenado sacerdote aos 21 de julho de 1878. No dia 25 de julho do mesmo ano celebra sua primeira missa em Dötingen, Suíça, já que não pode celebrá-la em sua terra natal por causa da Revolução Cultural.

  Em 1880 Pe. Jordan passou vários meses na Terra Santa. Ali teve uma decisiva experiência de fé. Enquanto seu olhar vagava sobre a Terra Santa, vieram-lhe à mente as necessidades religiosas existentes em toda parte. Mais profundamente do que nunca, penetraram em todo o seu ser as palavras da Escritura: “A VIDA ETERNA É ESTA: QUE ELES CONHEÇAM A TI, O DEUS ÚNICO E VERDADEIRO, E AQUELE QUE ENVIASTE, JESUS CRISTO.” (Jo 17,3).  E do seu íntimo brotou a resposta: “Sim, ó Deus, a Sociedade proclamará a ti e ao teu Filho Unigênito" A partir desse momento o impulso do Espírito tornou-se nele mais forte do que qualquer dificuldade que lhe aparecesse.

 Dia 08 de dezembro de 1881, Pe. Jordan fundou a Sociedade Apostólica Instrutiva na Capela de Santa Brígida, em Roma, ocasião em que dois de seus companheiros emitiram os Primeiros Votos. Esta Primeira Profissão oficial marca a fundação do ramo masculino da Sociedade, que mais tarde passou a chamar-se "Sociedade do Divino Salvador".

  Em 1882 Pe. Jordan escreveu as primeiras Regras da Sociedade, estabelecendo como norma fundamental de vida, o seguimento de Jesus e dos Apóstolos. Aos 08 de dezembro de 1888 fundou a Congregação das Irmãs do Divino Salvador em Tívoli, cidade próxima a Roma.

  Embora em seu tempo fosse normal considerar a Igreja como uma organização com poder, com uma estrutura piramidal, com fortes acentos clericais, Pe. Jordan foi audaz, descobrindo os problemas nevrálgicos de seu tempo, oferecendo respostas concretas a tais problemas e escolhendo pessoas para ajudá-lo na obra.

  Destacamos alguns pontos de grande importância na vida e obra de Pe. Jordan:

  •  Ante a ignorância religiosa, propôs a popularização da teologia.
  • Ante os problemas de guerra - pré-nazismo e totalitarismo - propôs a universalidade.
  • Fundou organizações para todo tipo de líderes: crianças, benfeitores, sacerdotes, cientistas.
  • Idealizou uma publicação de caráter universal para os cientistas intercambiarem artigos com a finalidade de promover a ciência e ajudar a crescer na fé.
  • Mas sua grande intuição foi a de fundar uma Sociedade capaz de formar líderes cristãos em todos os níveis da sociedade civil e religiosa.
  • Todos os membros de sua Sociedade eram convidados a tratar-se como irmãos e irmãs e a viver o princípio da universalidade.

 Tendo feito a experiência da vitalidade da Igreja, Jordan se deu conta:

  • da necessidade de comprometer leigos no apostolado;
  • da capacidade especial que a mulher tem de evangelizar;
  • da importância de evangelizar as crianças;
  • da necessidade de unir todos os grupos apostólicos;
  • da necessidade de buscar vocações para a Igreja e não só para seu Instituto;
  • da conveniência de empregar os meios de comunicação social como instrumento privilegiado de evangelização e convencer-se de que a Igreja precisava dele.

  Após ter experimentado as consequências da Primeira Guerra Mundial, que já acabava, Padre Jordan faleceu em Tafers, na Suíça, no dia 08/09/1918. No dia 12/09/1956, seus restos mortais foram transladados para Roma, onde se encontram na Capela da Casa Geral dos Padres Salvatorianos. Seu processo de beatificação está em andamento. O Decreto do reconhecimento das virtudes heroicas de Padre Jordan foi divulgado pela Igreja, em Roma, no dia 14 de janeiro de 2011.

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MADRE MARIA DOS APÓSTOLOS - Cofundadora das Irmãs Salvatorianas

TERESA VON WÜLLENWEBER nasceu aos 19/02/1833 no Castelo de Myllendonk, em Neuwerk, Alemanha, sendo a primogênita dentre as cinco filhas do casal Joseph Theodor (Barão de Wüllenweber) e Constância Elizabeth Lefort. O pai procurou dar-lhe formação correspondente. Com a idade de 15 anos, Teresa ingressou no internato das Irmãs Beneditinas na Bélgica. Em 1850 regressou ao Castelo e ajudava sua mãe nos afazeres da casa e seu pai nos trabalhos administrativos Exercitava-se ao piano e gostava de trabalhos artísticos. Junto com a mãe, visitava os pobres e os doentes dos arredores. A Bíblia passou a ser seu estudo preferido.

Aos 24 anos se decide pela vida religiosa e por isso entra na Congregação do Sagrado Coração de Jesus, em Blumenthal, Alemanha. Ali chega a fazer o noviciado e os votos temporários. Não sendo esta uma congregação missionária, Teresa percebe não estar em seu lugar. Deixa a Congregação e, em busca da vontade de Deus a seu respeito, ingressa na Ordem Terceira Franciscana. Ali ela também não sente que é o seu lugar. 

Na Páscoa de 1882 chegou-lhe às mãos um anúncio do jornal do povo de Colônia "O Missionário", com a notícia da "Sociedade Apostólica Instrutiva", fundada em 1881 por Pe. Francisco Maria da Cruz Jordan. Um encontro realizado aos 04/07/1882, com o fundador da Sociedade,  em Neuwerk, confirmou a convicção de Teresa: "Deus quer conduzir-me para lá".

A partir dali ela se colocou à disposição de Deus e procurou incansavelmente fazer sua vontade. Depois de muitas buscas, com 48 anos de idade, ela encontrou no carisma Salvatoriano o que seu coração buscava. Percebeu que ali era o seu lugar e a realização de seu ideal missionário. No carisma Salvatoriano, Madre Maria não só encontra espaço para realizar sua vocação, como também ela se torna instrumento de Deus para somar forças na concretização da obra tão sonhada por Pe. Jordan. Juntamente com ele, assumiu com coragem as consequências de tão audacioso projeto.

 Soube então que Pe. Jordan tinha a intenção de fundar um ramo feminino da Sociedade. No dia 31 de maio de 1883, emitiu os Votos Perpétuos pelas mãos de Pe. Jordan. A partir daí ela se considerou membro integrante e definitivo da Sociedade Apostólica Instrutiva e dedicava-se inteiramente às obras apostólicas. Seu coração pulsava para uma vocação missionária.

Dia 08 de dezembro de 1888, após dez dias de retiro, recebeu o nome religioso de "MADRE MARIA DOS APÓSTOLOS". Ela é cofundadora da Congregação das Irmãs do Divino Salvador e foi sua primeira Superiora Geral.

MADRE MARIA FOI AUDAZ, CORAJOSA E CRIATIVA. Aos 55 anos, chamada a Roma por Pe. Jordan para tomar parte da Sociedade, deixou imediata e incondicionalmente tudo e se desprendeu de todas as suas seguranças, colocando-se aberta para anunciar Cristo o Salvador. Dentre suas muitas virtudes e dons, destacamos:

  • Mulher poética, desde a juventude, escreveu poemas: "Quando ouço falar em missões, sinto em mim um grande impulso. Tanto amor, tanta ansiedade, que só então experimento em mim" (Uma Aspiração).
  • Mulher com espírito apostólico missionário: "Sinto-me fortemente chamada a tudo o que é apostólico".
  • Mulher com visão universal, dotada de uma grande sensibilidade diante das necessidades da realidade de seu tempo.
  • Mulher de doação, sem reservas, na busca incansável pela concretização do ideal Salvatoriano.
  • Alegre, simples e serena, pela sua dedicação conseguiu criar uma comunidade feliz.
  • Acolhida e hospitalidade: seu espírito universal acolhia a todos, sem distinção.
  • Oração e experiência de Deus: profunda experiência de Deus foi o alicerce de sua vida e missão. Mulher de profundo compromisso com os pobres.

Madre Maria faleceu em Roma, na Salita Sant'Onófrio, no dia 25 de dezembro de 1907. O Papa Paulo VI declarou Madre Maria dos Apóstolos "Bem-Aventurada" no dia 13 de outubro de 1968. Sua festa é celebrada no dia 5 de setembro.

 

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